sábado, 24 de setembro de 2016

Freud e o corretor ortográfico

Depois de muito lutar (e falhar miseravelmente), resolvi fazer as pazes com o corretor ortográfico do meu telefone celular: acabei aceitando-o como quem aceita um destino ou se conforma com um oráculo, com aquele erguer de ombros acompanhado de um suspiro fatalista do tipo "fazer o que, é a vida".  Na verdade, de um tempo para cá me peguei interpretando à la Freud as "correções" como se fossem atos falos – digo, falhos. Não importa o que eu escreva, aparece outra coisa: eis o Inconsciente! Eis o Real! Eis a porta do Outro. Digo, a polka do Outro. Carvalho!!!!, quero dizer a porra do Ouro.

Ficou difícil até de praguejar... Mas não porque o corretor seja moralista e nos censure permanentemente, apenas que ele acredita no melhor de nós e na pureza de nossas intenções e palavras. O que raramente é o casto. O casco. O caso.

Enfim... estou pensando em escrever um livro inteiro no celular utilizando esse recurso fantástico, o corredor automático. Escreverei cinquenta páginas sem reler nata, sem editar, sem corrigir. Será um novo Finnegans Wake! A crítica vai assar!!!

Mas voltando a Freud: se ele estivesse vivo, certamente estaria interessadíssimo nas nossas mensagens de sexto – sexo ­– texto. Contesto e pretexto, incesto e preciso. Circunciso.

Assim falhando, vamos nos reinventando. E em nome da espontaneidade do mundo virtual (nova ética?), clicamos em ENVIAR e só depois relemos as camadas que fizemos. As cavadas. AS CAGGGGGGGGGGGGADAS. Eu cliquei G, seu corretor de menta!

Ainda bem que nunca perco a alma. Digo, a calma.


Alberto Heller

7 comentários:

  1. Kkkkkl!!😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂!!!!!! Muuuuuuuitttooo bom!! Por que não desligamos ele?! Porque ainda me iludo que ele me economiza tempo!!! Kkkkkkkk!!! 😂😂😂😂😂😂😂!!!!

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    1. Forças superiores nos impedem de desligá-lo...

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  2. Contínuo rindo muito deste seu texto maravilhoso! Kkkk!! Um dia me convenço a desligá-lo!!

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